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    Home»Revista»MS – Indígenas, integrantes do MPF e da Funai são atacados por pistoleiros
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    MS – Indígenas, integrantes do MPF e da Funai são atacados por pistoleiros

    adminBy admin29 de agosto de 2012Nenhum comentário4 Mins Read
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    Por Renato Santana, de Brasília

    CIMI – Pistoleiros atiraram na tarde desta terça-feira, 28, contra o tekoha Arroio Korá, do povo Guarani Kaiowá, localizado no município de Paranhos, fronteira do estado do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Por enquanto, não há notícias de feridos, mas a violência imposta pelos jagunços dessa vez não respeitou ao menos órgãos federais.

    Durante o ataque dos atiradores, a comunidade indígena estava reunida com o antropólogo do Ministério Público Federal (MPF) do estado, Marcos Homero. Com ele estavam representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Força Nacional. Em Arroio Korá vivem cerca de 400 Guarani Kaiowá.

    Os tiros foram desferidos contra o grupo reunido, que se dispersou. “Ficamos assustados. Acontece sempre de atirarem contra nós, por cima do acampamento. Hoje estava o Ministério Público, a Funai. Eles viram como acontece”, declarou a liderança de Arroio Korá, Dionísio Guarani Kaiowá.

    Ameaçado de morte, o indígena não pode se locomover livremente pela Terra Indígena de sete mil hectares homologada em 21 de dezembro de 2009, mas que nunca teve os não-índios retirados pela Funai. Conforme decisão do Aty Guasu, grande reunião Guarani Kaiowá, a situação não poderia mais se manter.

    No último dia 10 de agosto a comunidade decidiu iniciar a retomada da área e desde então Dionísio está marcado para morrer, além de seguir exigindo das autoridades providências quanto ao desaparecimento de Eduardo Pires Guarani Kaiowá, levado pelos pistoleiros durante ataque no dia do movimento de retomada.

    “Aqui estamos vivendo assim porque os invasores de nossas terras estão todos aqui dentro e não aceitam que estamos retomando o que é nosso. Estamos aqui e não vamos sair”, decretou Dionísio. Na última semana, o indígena entrou para o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da Presidência da República.

    Violência é recorrente

    O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul solicitou a instauração, pela Polícia Federal de Ponta Porã, de inquérito policial para averiguar a violência sofrida pelos Guarani Kaiowá e Ñhandeva durante reocupação da Terra Indígena Arroio Korá.

    Uma criança morreu durante o ataque dos pistoleiros, ocorrido logo após o movimento de retomada. Um indígena chamado Eduardo Pires ainda está desaparecido e conforme testemunhas ele teria sido levado pelos pistoleiros. Segundo o MPF, o objetivo da investigação, além de apurar a ocorrência de crimes, é também o de preservar o local dos fatos para futuros exames periciais.

    Relatório de Identificação da Terra Indígena, realizado pelo antropólogo Levi Marques Pereira e publicado pela Funai, atesta, em fontes documentais e bibliográficas, a presença dos guarani na região desde o século XVIII.

    Em 1767, com a instalação do Forte de Iguatemi, os índios começaram a ter contato com os “brancos”, que aos poucos passaram a habitar a região com o objetivo de mantê-la sob a guarda da corte portuguesa. A partir de 1940, fazendeiros ocuparam a área e passaram a pressionar os indígenas para que deixassem suas terras tradicionais.

    Os primeiros proprietários adquiriram as terras junto ao Governo do, então, Estado de Mato Grosso e, aos poucos, expulsaram os índios, prática comum naquela época. Contudo, os indígenas de Arroio Korá permaneceram no solo de seus ancestrais, trabalhando como peões em fazendas.

    Homologação contestada 

    No dia 21 de dezembro de 2009, o presidente Luís Inácio Lula da Silva homologou os sete mil hectares da Terra Indígena Arroio Korá. Desrespeitando o recesso do STF, o ministro Gilmar Mendes, oito dias depois do ato de homologação, embargou 184 hectares da área a pedido dos fazendeiros.

    “O que perguntamos é: por que o processo ainda está parado e qual a razão da Funai não retirar os invasores de todo o resto da terra que não foi embargada? A guerra que nos declaramos é contra essa morosidade. Não vamos aceitar mais tanta demora em devolver nossas terras”, disse Eliseu Guarani Kaiowá.

    http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6486&action=read

    –

    MPF – Nota de Esclarecimento: Incidente em reunião de trabalho na aldeia Arroio-Korá

    O Ministério Público Federal (MPF) em Ponta Porã, quanto ao incidente acontecido em reunião realizada hoje (28) na Aldeia Arroio-Korá, no município de Paranhos/MS, esclarece que houve o encontro do MPF com os índios para tratar da questão fundiária e escutar as demandas da comunidade. A reunião transcorreu normalmente. Ao final do encontro, a equipe do MPF escutou o barulho de 2 tiros e, minutos depois, mais 3 tiros para o alto, à distância. Logo depois, como já finalizada a reunião, o MPF continuou sua agenda de trabalho normalmente, seguindo para a Terra Indígena Ypo’i. Servidores e procurador estão bem. Amanhã, mais informações serão repassadas.

    Assessoria de Comunicação Social

    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul
    (67) 3312-7265 / 9297-1903
    (67) 3312-7283 / 9142-3976
    www.prms.mpf.gov.br
    ascom@prms.mpf.gov.br
    www.twitter.com/mpf_ms

    http://www.prms.mpf.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/noticias/2012/08/nota-de-esclarecimento

    Fonte: racismoambiental – http://racismoambiental.net.br/2012/08/ms-indigenas-integrantes-do-mpf-e-da-funai-sao-atacados-por-pistoleiros-nota-do-mpf/

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